Deputado Mauro Savi comprou Porsche Cayenne de R$ 208 mil com dinheiro da AL, diz MPE

Airton Marques, do MidiaNews - O Ministério Público Estadual (MPE) acusa o deputado Mauro Savi (PSB) de utilizar parte do dinheiro supostamente desviado da Assembleia Legislativa para comprar um Porsche Cayenne avaliado em R$ 208,5 mil.

A informação consta na denúncia oferecida à Justiça na última terça-feira (22), derivada da Operação Ventríloquo, que investiga suposto esquema que teria desviado R$ 9,4 milhões dos cofres do Legislativo, por meio de pagamentos indevidos ao então advogado do HSBC e delator da primeira fase da operação, Joaquim Fabio Mielli Camargo.

Segundo o MPE, o veículo fabricado em 2011 foi comprado do empresário Valdir Agostinho Piran Júnior e transferido para o nome de Leila Clementina Sinigaglia Daroit, esposa de Valdir Daroit, cunhado e sócio de Savi em uma fazenda denominada “Curió”.

A denúncia relata que o Porsche foi pago por meio de cheques de Mielli, depositados nas contas de Piran Júnior.

Com a transferência do veículo para as contas de Leila Daroit, o MPE revelou que duas hipóteses foram levantadas sobre o fato: “ou o veículo foi adquirido para uso efetivo do próprio Mauro Savi e colocado em nome de sua concunhada, ou tratou-se de forma de quitação de alguma dívida de Mauro Savi com seus sócios da fazenda Curió”.

Na denúncia, o deputado é acusado de formação de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.


“Ocultaram valores”

Além da compra do Porsche, o MPE também declarou que Savi e Valdir teriam utilizado cheques de Mielli para pagar compras de gado.

A relação comercial do deputado e seu cunhado na compra dos animais, adiantada pelo MidiaNews em reportagem publicada no inicio deste mês (leia AQUI), foi ressaltada pelos depoimentos de cinco produtores rurais que atuam na região sul e sudeste do País, que foram ouvidos nas investigações da Operação Ventríloquo, e anexadas na denúncia.

Os depoimentos dos produtores foram prestados no Ministério Público dos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. Eles foram intimados a depor em razão de os cheques recebidos terem sido rastreados pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado).

Conforme o MPE, os fatos trazidos na denúncia comprovariam que Valdir e sua esposa colaboraram para a ocultação dos valores recebidos por Savi.

“Valdir Daroit e sua esposa, Leila Clementina Daroit, de forma habitual, ocultaram e dissimularam a natureza, origem, localização e movimentação de valores provenientes do crime de peculato perpetrado pelo deputado estadual Mauro Savi”, disse.

Além de Savi, Valdir e Leila Daroit, os deputados Romoaldo Júnior (PMDB), Gilmar Fabris (PSD) e outras sete pessoas também foram denunciadas.

A ação foi assinada em conjunto pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco) e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).

Na primeira instância da Justiça Estadual, o suposto esquema é investigado em duas ações penais sob responsabilidade da juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.

Outro lado

Por meio de nota enviada pela sua assessoria de imprensa, o deputado Mauro Savi afirmou que irá aguardar a notificação da denúncia para se pronunciar sobre o caso.

Fac-símile de trecho da denúncia:


A denúncia

De acordo com a os promotores, entre 2013 e 2014, Romoaldo e Savi em parceria com o ex-deputado José Riva e os demais acusados - Francisvaldo Mendes Pacheco, Julio Cesar Domingues Rodrigues, Anderson Flavio de Godoi , Luiz Marcio Bastos Pommot e Joaquim Fábio Mielli Camargo - teriam constituído "organização criminosa" estruturalmente ordenada com objetivo de "saquear os cofres" da Assembleia.

Conforme a denúncia, com a colaboração de outras pessoas ainda não identificadas, eles "teriam se apropriado ilicitamente de recursos do Legislativo em proveito próprio".

Ainda na denúncia, o MPE afirmou que no período compreendido entre fevereiro e abril de 2014, teria desviado dos cofres da Assembléia cerca de R$ 9.480.547,69, "valendo-se da facilidade que proporcionava a condição de servidores públicos e agentes políticos de alguns de seus membros".

Segundo o MPE, no mesmo período os acusados teriam ocultado e dissimulado a natureza e a origem dos valores, contando com o auxílio dos empresários e assessores parlamentares José Antonio Lopes, Ana Paula Ferrari Aguiar, Claudinei Teixeira Diniz, Marcelo Henrique Cini, Cleber Antônio Cini, Valdir Daroit, Leila Clementina Sinigaglia Daroit, Odenil Rodrigues de Almeida e Edilson Guermandi de Queiroz, todos denunciados na ação.

Consta na ação que as investigações demonstram que o deputado Gilmar Fabris teria sido beneficiário de R$ 95 mil do dinheiro desviado. Segundo o MPE, o parlamentar tinha "ciência da origem espúria dos recursos". Os promotores disseram que ele teria providenciado sua “lavagem” por meio de sua ex-assessora Ana Paula Ferrari Aguiar.

Foi também requerida a condenação do grupo ao pagamento de indenização pelos prejuízos materiais sofridos pelo erário, no valor de R$ 9.480.547,69, além da condenação pelos danos morais coletivos sofridos pelo Estado.

Foi fixada uma indenização no montante de R$ 10 milhões, cujo valor deverá ser investido em prol das áreas de saúde e educação.

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