Em MT, 249 candidatas não receberam votos; TRE e MP investigam uso de 'laranjas' e eleitos podem perder mandato


HojeNews - Em Mato Grosso 266 candidatos com registro deferido receberam votação zero nas eleições municipais de outubro. Desse total, apenas 17 são do sexo masculino. A esmagadora maioria, ou seja, 249 candidaturas, são do sexo feminino.

Desconfiado do uso de 'laranjas', o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE) enviou à Procuradoria Regional Eleitoral a relação das candidaturas femininas com registro deferido, mas que tiveram votação zero nas urnas, ou seja, não receberam nem o próprio voto.

O objetivo é investigar se os partidos e coligações utilizaram os nomes destas mulheres como "candidatas laranja", apenas para preencher as cotas de gênero, exigência prevista na Lei das Eleições.

Números divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) demonstram que, em todo o país, 14.417 mulheres registradas como candidatas terminaram a eleição com votação zerada, mesmo tendo sua candidatura deferida pela Justiça Eleitoral, indício forte de que houve candidatura fictícia.

A Procuradoria Geral da República pediu aos procuradores eleitorais de MT para que apurem a veracidade dessas candidaturas conferindo assinaturas e documentos que constam no processo de registro de candidatura.

Eles também devem verificar se houve gastos de campanha, uma vez que nas candidaturas fictícias é comum a inexistência de investimento na campanha eleitoral.

A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso, desembargadora Maria Helena Póvoas, enalteceu o trabalho desenvolvido pela Procuradoria Eleitoral e se colocou à disposição para contribuir com este trabalho.

"Vamos agir com rigor na responsabilização dos partidos políticos e coligações que fizeram uso deste expediente. Caso fique comprovado o uso indevido do nome das mulheres como candidatas laranja, os candidatos homens destes partidos e coligações, que tenham sido eleitos, podem até ter seu mandato impugnado por terem se beneficiado com a ilegalidade", destacou a desembargadora Maria Helena Póvoas. 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS