Deputada Janaina Riva já fala em impeachment ou cassação do governador Pedro Taques

MidiaNews - A líder do grupo de oposição na Assembleia Legislativa, deputada Janaina Riva (PMDB), afirmou que caso haja a comprovação do suposto caixa dois na campanha de 2014, o governador Pedro Taques pode acabar sendo afastado do Palácio Paiaguás, por meio de um processo de impeachment ou, até mesmo, com a cassação de seu mandato.

“Se for confirmado esse caixa dois na campanha do governador Pedro Taques, não vejo saída se não o impeachment, ou sua cassação. Caixa dois é crime. A população de Mato Grosso tem que entender que o governador será afastado por crime”, disse, nesta quarta-feira (14), durante entrevista ao programa SBT Comunidade.

A suspeita da irregularidade na campanha surgiu após a divulgação do termo de colaboração premiada do empresário Giovani Guizardi, dono da Dínamo Construtora, nas investigações envolvendo a Operação Rêmora.

A operação apura supostos esquemas na Secretária de Estado de Educação (Seduc), consistentes na cobrança de propina em troca do pagamento por medições em obras e divisão frudulenta de contratos entre empresários que compunham o cartel.

No termo de vinte páginas, o empresário disse que as fraudes em licitações da secretaria teriam o intuito de recuperar o "investimento" de R$ 10 milhões feito pelo empresário Alan Malouf, sócio do Buffet Leila Malouf, na campanha de Taques ao governo, em 2014.

Nos bastidores, Alan é considerado um dos articuladores financeiros da campanha de Taques.

"Desejo"

A deputada disse que a possibilidade do pedido de afastamento de Taques do Governo do Estado não é só um desejo já demonstrado entre os deputados de oposição, como também, de parte da sociedade.

"Hoje, quando vejo o meu Facebook e o do Governo do Estado, as pessoas começam a cobrar quando esse governador será cassado. As pessoas começaram a perceber que, talvez, o Estado não tenha condições de se manter em um equilíbrio econômico que Mato Grosso sempre teve, com Pedro Taques a frente do Estado", disse.

"Essa movimentação parte de servidores públicos, de empresários e deputados. Vejo essa situação como muito crítica", declarou.

Prática “comum”

Janaina afirmou que as declarações dadas por Guizardi não podem ser desqualificadas, já que Alan Malouf, segundo a deputada, era o coordenador financeiro da campanha de Taques.

“Na minha opinião, o Ministério Público Estadual tem um certo cuidado, principalmente porque estão tratando de questões envolvendo pessoas com foro privilegiado”, disse.

“A partir do que foi falado pelo Giovani, deve haver desdobramentos, mas não acredito que ele falaria alguma coisa que não pudesse comprovar. Falo isso conhecendo o perfil da família Guizardi, que é tradicional na cidade”, completou.

Ainda em sua delação, Guizardi declarou que, possivelmente, no segundo semestre do ano de 2014, fez uma doação de R$ 300 mil para a campanha de Taques, "valor esse que foi entregue em espécie nas mãos da pessoa de Alan Malouf".

Janaina declarou que a suposta doação feita por Alan Malouf à campanha de Taques tinha o intuito de receber em troca algum benefício futuro, com o tucano no comando do Estado.

“Esses R$ 10 milhões que Alan Malouf supostamente colocou na campanha do governador Pedro Taques, como caixa 2, com certeza, saíriam de renúncias fiscais, obras ou de alguma outra forma de corrupção”, afirmou.

A deputada também ressaltou que doações a campanhas eleitorais em troca de favores é uma prática comum, mas contestável.

“Isso sempre aconteceu, mas não deveria acontecer. É por isso que estão pagando caro. Mas, o que mais me estranhou foi ele [Giovani Guizardi] dizer que o empresário Alan Malouf investiu R$ 10 milhões. Segundo ele, quando se doa para uma campanha, não se espera nada de volta. No entanto, quando se investe é esperando algo em troca. Isso volta com renúncia fiscal, por exemplo”, pontuou.

Fundos ilícitos

Guizardi permaneceu preso entre maio deste ano e o dia 29 de novembro, quando a juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital, concedeu o direito de ele permanecer em prisão domiciliar.

De acordo com o depoimento, uma organização criminosa foi montada em 2015 na Secretaria de Educação, com o objetivo de arrecadar "fundos ilícitos" para saldar pagamentos não declarados em campanhas eleitorais ocorridas no ano de 2014.

"Não fui eu quem criou a referida organização, mas me vi envolvido a participar através da pessoa de Alan Malouf", afirmou.

O dono da Dínamo disse que conhece Alan Malouf desde criança e que é casado com Jamille Guizardi, prima do empresário.

Guizardi contou que quando Alan Malouf o inseriu no esquema, já existia uma organização na pasta, que contava com a participação do então secretário Permínio Pinto, do ex-servidor Fábio Frigeri e dos empreiteiros Leonardo Guimarães e Ricardo Sguarezi.

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