Médico preso após xingar porteiro de 'preto vagabundo' é indiciado em Mato Grosso

G1MT - O médico cardiologista e professor universitário Herbert Monteiro da Silva, de 63 anos, foi preso em flagrante e indiciado por injúria racial depois de ter supostamente xingado o porteiro do prédio de 'preto', 'preto vagabundo e safado' após uma discussão. Docente da Universidade Federal de Mato Grosso, ele foi solto depois de pagar fiança de R$ 5 mil. O caso é investigado pela Polícia Civil. O edifício fica no bairro Jardim Mariana, em Cuiabá.

Ao G1, a advogada do médico, Sueli Silveira, disse que o flagrante foi forjado e que houve abuso por parte da abordagem da Polícia Militar, que arrombou a porta do apartamento em que o cardiologista estava. A Polícia Militar informou, por meio de assessoria, que em casos como esse é necessária a formalização de uma denúncia na Corregedoria da instituição para que possa ser instaurado um procedimento para apurar a conduta dos policiais que atenderam a ocorrência.

O médico foi preso na noite de sábado (4). Segundo o boletim de ocorrência, ele se irritou quando tentou sair do condomínio, mas estava sem o controle do portão. Conforme o BO, Silva começou a buzinar e xingou o porteiro de "preto" e "preto vagabundo e safado", e ordenou que ele abrisse o portão.

Ainda conforme o boletim de ocorrência, o médico saiu do prédio, mas depois voltou. A Polícia Militar foi chamada e se dirigiu ao apartamento onde Silva estava. Como ele se recusou a sair, os policiais militares arrombaram a porta e deram voz de prisão. Depois, o cardiologista foi levado para a Central de Flagrantes, de onde foi liberado já na madrugada do dia seguinte.

"A polícia cometeu uma atrocidade sem precedentes. Meu cliente me ligou e disse que havia tido uma discussão e que a PM estava lá. Disse para ele não abrir a porta e esperar eu chegar. Mas, quando cheguei a porta estava arrombada. Não existe na norma jurídica a polícia entrar na casa de alguém sem mandado e sem ordem judicial", criticou Sueli Silveira.

Para a advogada, o flagrante em questão foi forjado, já que quando ela chegou ao prédio já havia profissionais da imprensa no local. Sueli também criticou a atitude do síndico. "Quando cheguei ele perguntou onde eu estava indo e depois quis saber se eu não queria ouvir a história antes de subir. Também me disse que o vice-presidente da OAB estava lá", contou.

Conforme a Polícia Civil, o médico se envolveu em uma discussão com o síndico do apartamento em janeiro deste ano. Na ocasião, foi registrado um boletim de ocorrência contra o cardiologista por ameaça. Ele teria chamado o síndico de 'vagabundo' e 'moleque'.

O suspeito aluga um apartamento no prédio, onde mantém um cachorro, mas não mora lá.

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