“Parem de colocar peso em minhas costas, porque é insustentável”, reclama deputada Janaína, filha de Riva

MidiaNews - A deputada estadual Janaina Riva (PMDB) negou que a proposta de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os últimos 22 anos de gestão na Casa de Leis seja para “dar palco” ao seu pai, o ex-presidente da Assembleia, José Riva.

A acusação foi feita, primeiro, pelo deputado Oscar Bezerra (PSB), que teve a esposa, a prefeita de Juara, Luciane Bezerra (PSB), citada por Riva, em depoimento, como uma das beneficiárias do recebimento de parte do dinheiro obtido com um esquema de desvio de R$ 9,4 milhões no Legislativo.

Em seguida, também fizeram as mesmas críticas outros colegas de Janaina, como o atual presidente Eduardo Botelho (PSB), e os deputados Gilmar Fabris (PSD) e Mauro Savi (PSB) - os dois últimos igualmente citados por Riva como beneficiários do desvio investigado na Operação Ventríloquo.

Segundo Janaina, a proposta da CPI foi feita para “deixar para trás” a tentativa de vinculação de seu mandato com o de seu pai. Tal vinculação, segundo ela, é feita de forma constante por seus adversários políticos.

“O governador Pedro Taques constantemente tem feito isso [vincular os mandatos]. E foi uma forma que encontrei de deixar isso para trás, para poder seguir com o meu mandato de uma vez por todas”, disse.

“Se o Governo tem a intenção de investigar, se os deputados da base têm intenção de investigar, que investiguem. Mas parem de uma vez por todas de ficar colocando esse peso nas minhas costas, porque para mim é insustentável. Acho que já deu e eu dei a demonstração de que, se quiserem tratar do assunto, tratem com quem deve tratar, que é meu pai”, afirmou.

Para a deputada, as críticas dos colegas atingem, na verdade, o governador Pedro Taques (PSDB), que, segundo ela, foi quem propôs a CPI.

Isso porque o governador, ao comentar a criação da CPI do MT-Prev, sugeriu que os parlamentares criassem uma comissão para investigar um suposto rombo de R$ 500 milhões na Assembleia

“Quando dizem que eu quero dar palanque, fazer pirotecnia, que a CPI é doida, estão ofendendo diretamente o governador, que propôs essa CPI. Nunca achei que tivesse necessidade de se fazer uma CPI para isso”, disse.

“Depois que o governador falou, senti como se fosse um desafio e quis deixar para trás essa vinculação do meu mandato com relação ao que aconteceu no passado com meu pai. Tenho colocado aqui minhas características, focada na defesa do Estado, sem tentar diminuir ninguém, muito menos por um motivo como este, que é um vínculo familiar”, completou.

A CPI

A CPI, caso instalada, irá investigar um suposto rombo de R$ 500 milhões na Assembleia Legislativa nos últimos 22 anos.

Na maior parte deste período, a Casa foi comandada por Riva.

Somente na “Operação Imperador”, ele é acusado de desviar cerca de R$ 60 milhões dos cofres da Assembleia por meio de licitações supostamente fraudulentas, cujas empresas simulavam a entrega de produtos.

Janaina disse que a investigação foi “sugerida” pelo governador aos deputados da base aliada, mas ela decidiu propô-la para provar que suas ações não são motivadas por “politicagem”.

“Estou assinando essa CPI e coloco na justificativa, para que não haja dúvidas, a necessidade de que se convoque o ex-deputado José Riva, porque ele vem fornecendo elementos de confissão à Justiça Estadual, alegando que houve, sim, gastos indevidos na AL”, disse Janaina.

Até o momento, quatro parlamentares assinaram o requerimento. Além de Janaina, assinaram Zeca Viana (PDT), Allan Kardec (PT) e Valdir Barranco (PT). Para a instalação da comissão são necessárias oito assinaturas.

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