Ex-presidente da ALMT, José Riva diz que ele e 33 deputados recebiam 'mensalinho' de até R$ 25 mil de Blairo Maggi

G1MT - Em depoimento à Justiça, o ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, José Geraldo Riva, confessou que recebia um "mensalinho" do governo do estado. A propina, segundo ele, também foi recebida por outros 33 deputados para que votassem os projetos de interesse do Executivo, no per. Riva foi ouvido na sexta-feira (31) pela juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, em uma ação que investiga o desvio de R$ 62 milhões da Casa de Leis, entre 2005 e 2009.

Ele deu detalhes de como funcionava o esquema. "Era uma mesada, na linguagem popular uma propina, que os deputados da bancada recebiam do governo", afirmou. Inicialmente, segundo ele disse à Justiça, o valor era de R$ 15 mil, mas foi reajustado gradativamente e, por fim, era de aproximadamente R$ 25 mil.

O ex-parlamentar declarou que os seguintes parlamentares e ex-parlamentares receberam propina: Silval Barbosa, Sérgio Ricardo, Mauro Savi, Carlão Nascimento, Dilceu Dal Bosco, Alencar Soares, Pedro Satélite, Renê Barbour, Campos Neto, Zeca D'Ávila, Nataniel de Jesus, Humberto Bosaipo, Carlos Brito, João Malheiros, Eliene Lima, José Carlos de Freitas, Sebastião Rezende, Gilmar Fabris, Zé Domingos, Wallace Guimarães, Percival Muniz, Wagner Ramos, Adalto de Freitas, Juarez Costa, Walter Rabello, Nilson Santos, Chica Nunes, Airton Português, Maksuês Leite, Guilherme Maluf, Ademir Brunetto, Chico Galindo e Antônio Brito, além dele. (Veja o posicionamento das pessoas citadas ao final da reportagem)

No depoimento, Riva também disse que quando o Blairo Maggi, atualmente ministro da Agricultura, assumiu o governo do estado, em 2003, teve um discurso duro em relação à Assembleia Legislativa, mas tinha uma bancada pequena, quatro ou cinco deputados. Numa ocasião, se reuniu com alguns deles e disse que não pagaria "mensalinho" algum, porém, depois acabou cedendo.

"Nessa reunião em que eu estava presente, ele [Maggi] disse eu não vou participar disso, não vou passar dinheiro, não vou passar nada por fora para deputado, mas depois ele sugeriu que uma forma que ele poderia fazer era a Assembleia fizesse o orçamento e, fora o suficiente para tocar a Assembleia, que ele estava disposto a passar um por fora, mas condicionando que fosse passado para todos os deputados", contou.

Em nota, o ministro afirma que Riva sabia que ele tinha se recusado a participar de qualquer esquema de distribuição de propina a deputados. "Tenho a consciência tranquila, nada fiz de errado e tenho certeza de que isso será devidamente comprovado", alega.

Ele afirmou que, quando algum deputado fazia uma crítica dura ao governo, o governador questionava se o parlamentar não estava recebendo. "Ele perguntava: Pô, você tem que conversar com o cara. Ele não está recebendo?!", pontuou.

Segundo o ex-presidente da ALMT, o dinheiro do duodécimo, repassado pelo estado para os deputados, era desviado da compra de utensílios para o órgão. Era simulada a compra, mas os materiais não eram entregues.

Ela disse que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), que está preso há mais de dois anos, também fez parte das fraudes. Na época, ele era deputado estadual e fazia a partilha do dinheiro desviado das licitações, conforme o ex-parlamentar.

"Todos sabiam tudo que acontecia, nenhum sabia mais ou menos que o outro, todos participavam. Nos últimos seis anos, eu não entreguei dinheiro para nenhum deputado, mas eu sabia que era entregue e como era entregue. Ninguém da Mesa Diretora assinava nada enganado. Essa era uma decisão tomada em colegiado", relatou.

Ele também disse que Blairo Maggi teria participado da compra da vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), que pertencia ao conselheiro Alencar Soares, em 2009. A aposentadoria de Alencar Soares foi antecipada para beneficiar o então deputado estadual Sérgio Ricardo. A vaga teria custada mais de R$ 2 milhões.

Sérgio Ricardo foi afastado recentemente do cargo e teve os bens bloqueados, assim como Maggi.

Versões
A assessoria de Sérgio Ricardo disse que as declarações dadas por Riva são mentirosas e nega que ele tenha recebido mensalinhos. As defesas de Silval Barbosa e de Mauro Savi informaram que não vão se manifestar sobre o assunto. Sebastião Rezende nega participaçáo no esquema e diz que vai acionar Riva na Justiça por danos morais. Pedro Satélite, Adalto de Freitas e Carlos Brito também negaram participação no esquema e disseram que nunca receberam propina.

O deputado Guilherme Maluf informou que tomou conhecimento do depoimento prestado por José Riva pela imprensa e negou envolvimento em suposto esquema de propina envolvendo deputados estaduais.

Não atenderam as ligações da equipe de reportagem os deputados Gilmar Fabris e os ex-deputados Maksuês Leite, Dilceu Dal Bosco, Chico Galindo, Wallace Guimarães, Zeca Dávila, Juarez Costa e Campos Neto, que atualmente é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.

A reportagem tentou, mas não conseguiu manter contato com Percival Muniz e nem com Zé Domingos, que estão viajando. Não foram localizados Humberto Bosaipo, Nilson Santos, José Carlos de Freitas, João Malheiros, Chica Nunes, Carlão Nascimento, Alencar Soares, Eliene Lima, Airton Português, Nataniel de Jesus, Ademir Brunetto e Antônio Brito.

Dois deputados citados por José Riva já faleceram. A reportagem não localizou as famílias de Walter Rabello e Renê Barbour.

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