Diretor diz a vereadores que serviços do Hospital Regional de Colíder serão retomados aos poucos: “Estou otimista”

Com a missão de resgatar o bom funcionamento do Hospital Regional de Colíder e gerenciar o trabalho de 186 servidores efetivos e 320 funcionários contratados, o novo diretor esteve nesta segunda-feira (15/05) na Câmara de Colíder para esclarecer aos vereadores e à população a realidade administrativa e financeira da unidade.

Apesar dos problemas assumidos e das dificuldades encontradas, Elizandro de Souza Nascimento mostra muito otimismo em relação ao futuro do hospital, que ainda tem a sua UTI neonatal fechada, várias especialidades fora de operação e os médicos em estado de greve devido à inadimplência com as empresas responsáveis pela contratação desses profissionais.


“Estou bastante otimista, porque o que foi prometido para mim nesse período foi cumprido pela Secretaria Estadual de Saúde. E eu volto mais animado para trabalhar todos os dias porque estou vendo as coisas andarem. Nós passamos o primeiro degrau, a fase mais difícil, que é o setor de compras, que estava em Cuiabá. Nós não tínhamos crédito com ninguém, e hoje a gente retomou a conversa com esses fornecedores e eles voltaram a fornecer para a gente através desse compromisso financeiro. Então, é o que nos anima”.


Há 40 dias no cargo, Elizandro prestou aos parlamentares vários esclarecimentos sobre todos os setores do Hospital Regional de Colíder. “Apesar do pouco tempo, já obtivemos muitos e avanços e muitas conquistas. É uma luta diária, onde a gente tem aprendido muito com os funcionários que ali trabalham, tanto os efetivos quanto os seletivos, que estão abraçando o Hospital Regional. Sabemos que a população de Colíder almeja o nosso sucesso na melhoria do atendimento naquela unidade”, comenta.

ORTOPEDIA

“Na ortopedia, nós já estamos fazendo as consultas seletivas e as cirurgias de emergência. A empresa que oferece os serviços de ortopedia já sinalizou que voltará a atender o mais rápido possível. Nós estamos esperando somente a questão do abastecimento de medicamentos na unidade. Estamos dependendo disso, e aí a gente já vai começar a atender a área de ortopedia”.

PAGAMENTOS

“O novo secretário da Secretaria Estadual de Saúde, Luiz Soares, montou um cronograma de pagamento. E ele vem cumprindo. A programação foi 2 milhões de reais por mês, pagando passivo. E nós terminamos agora o mês abril. Eu creio que no dia 28 a gente faz a última fatura de abril. Pagando abril, a gente retoma os pagamentos de 2016, conforme o cronograma do setor financeiro da SES”.


DÍVIDAS DE 2016

“De acordo com o cronograma da SES, na primeira quinzena de junho já começa a pagar esse passivo [de 2016]. E acreditamos que ele [Luiz Soares] vá cumprir esse cronograma, que foi repassado a gente e que a gente está retransmitindo a vocês [vereadores]. Mas todo o passivo de 2017 está sendo quitado até o fim de maio. O que foi empenhado foi pago dentro de 2017. Nós trabalhamos hoje, em média, com um passivo de R$ 2,3 milhões por mês. A intenção do secretário Luiz Soares é colocar o passivo do mês em dia e [paralelamente] começar a pagar os atrasados. É uma programação da SES e que eu, no momento, tenho que cumprir o que foi determinado por lá. Mas eu estou bastante otimista”.

PEDIATRIA

“Hoje [segunda-feira (15) nós começamos as revisões dentro da Pediatria. Nós montamos uma comissão. E a partir do encaminhamento dessa comissão nós precisamos retomar os serviços. Mas nós precisamos de outros setores [funcionando bem] para retomar a pediatria. Nós temos hoje em negociação a questão médica. Mesmo que o secretário [Luiz Soares] já tenha autorizado a volta, nós temos aí o impasse relacionando à classe médica [que está com salários atrasados]. Estamos no diálogo com eles. A partir da sinalização positiva a gente já começa a fazer os atendimentos. Não vou falar data porque está em tramitação”. 


ESPECIALIDADES

“Na quinta-feira [11/05] me deparei com um dos maiores problemas relacionados ao meu planejamento no Hospital Regional de Colíder. Eu tenho uma unidade depredada, e essa unidade não comporta a volta de várias especialidades. Nós tivemos uma manutenção geral na unidade [pela equipe do Governo do Estado] e chegamos a essa situação. Só para vocês terem uma ideia, eu vou ter que deixar alguns serviços para voltar a pediatria. Vou ter que diminuir, principalmente, os leitos. Não tenho condições de colocar dez leitos [na UTI neonatal] igual nós temos lá à disposição para voltar a funcionar, sendo que não vou dar serviço de qualidade. Então, eu prefiro colocar cinco leitos funcionando com qualidade, atendendo parcialmente a população, do que voltar com todas as especialidades. O meu planejamento se resume ao atendimento básico, que seria a pediatria, ginecologia, obstetrícia e algumas especialidades que dá para a gente colocar ali dentro, dos eletivos e de algumas consultas que serão ofertadas ali. No momento, não posso falar o tipo de especialidades, porque nós estamos com uma demanda médica [reprimida], em estado de greve. Não conseguimos resolver esse impasse ainda”. 


RESPONSABILIDADE DA GESTÃO

“A princípio, eu fui contratado para a direção para fazer a transição da Secretaria Estadual de Saúde para o Consórcio [Intermunicipal de Saúde da Região Norte]. O posicionamento do governo é de repassar a responsabilidade do hospital para o consórcio. O consórcio, através do prefeito Noboru [Tomiyoshi, de Colíder], fez uma minuta de responsabilidade e encaminhou para a SES, que não se posicionou positivamente para essa minuta. E o secretário Luiz Soares resolveu construir uma nova minuta. E, a partir daí, formar um modelo de gestão. Se vai ser coparticipativa, se vai ser do consórcio ou se o Estado vai assumir. O governo não definiu ainda”.

PRAZO PARA NORMALIZAÇÃO

“Então, a parte técnica, relacionada a leitos e recursos humanos, nós estamos com os estudos praticamente finalizados. Então nós já vimos que não temos condições de atender os 10 leitos da UTI neonatal. O secretário [Luiz Soares] autorizou a gente a começar imediatamente essa tramitação com os médicos. Hoje [segunda-feira (15)] já chegou boa parte dos medicamentos. Mas como estávamos com a unidade desabastecida, a partir daí que nós temos que retomar. Não adianta voltar o serviço de pediatria se hoje eu não tenho medicamento para segurar esses pacientes lá. Então, é uma cadeia. Não vou falar data. Mas, de acordo com a negociação com os médicos, a gente vai retomar esses serviços. Nós estamos trabalhando para isso. Repetindo: a nossa estrutura não é adequada. Nós precisamos readequar ela para ver essa quantidade de leitos para a gente voltar a trabalhar o mais rápido possível”.


AMBULÂNCIAS

“A Assembleia Legislativa comprou ambulâncias para os municípios, e sobrou uma ambulância para cada Hospital Regional. A empresa que ganhou essa licitação tem uma programação para o mês de junho entregar uma ambulância para cada unidade, de acordo com a informação que a SES repassou”.

MANUTENÇÃO E REFORMA

“Eu solicitei de emergência, primeiro, a manutenção para fazer o carro andar. Já veio uma equipe [do Estado] aqui. A SES me posicionou que vai contratar uma empresa que fará essa manutenção de imediato. Relacionado às reformas, nós temos um encaminhamento à SES que retome no segundo semestre uma reforma de emergência no hospital.


EQUIPAMENTOS

E foi definida, também, na reunião de quarta-feira [8/05], uma emenda parlamentar do deputado Nilson Leitão no valor de um milhão de reais em equipamentos para o Hospital Regional de Colíder. Já foi aprovado e estamos no aguardo da licitação.

TOMOGRAFIA

“Ainda não foi regularizado porque nós ainda devemos para fornecedores. Eu creio que isso acontecerá o mais rápido possível. Tinha um cronograma de pagamento para essa semana, e eu acredito que ele vai ser cumprido.

CONSELHO ADMINISTRATIVO

“No meu primeiro dia de gestão no Hospital Regional de Colíder eu convidei alguns funcionários efetivos e seletistas para um bate-papo e me informar sobre a unidade. E dessa equipe que a gente convidou nós estamos finalizando a parte jurídica para formar um conselho administrativo. Foi um posicionamento nosso para nos resguardarmos de algumas situações que acontecem no decorrer da gestão. É um grupo bom. A gente vem debatendo algumas situações”.


FUNCIONAMENTO

“Quando a gente fala que 30 por cento da unidade está em funcionamento, não é por causa da greve [dos médicos]. É 30 por cento da unidade, que precisa, principalmente, de manutenção. E a gente vai acompanhar isso a partir de agora. E com o conselho a gente vai fazer alguns julgamentos para não prejudicar mais ainda o nosso hospital”.

ENVOLVIMENTO DOS PREFEITOS

“Todos os prefeitos estão colaborando. Nós só temos um prefeito que não vê com bons olhos a questão do consórcio, que é o Arnóbil, de Marcelândia. Ele não acha correto. É um posicionamento dele como gestor. Mas ele apoia a decisão dos demais colegas. O prefeito Noboru [de Colíder] tem sido incansável na luta para resolver a situação do Hospital Regional, junto com o vice-prefeito, Dr. Ono. Está todo mundo empenhado”.



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