Pai de primo de Aécio desabafa nas redes sociais: “Meu filho está preso por causa de sua lealdade a você”

O pai de Frederico Medeiros, primo do senador Aécio Neves (PSDB), escreveu um texto de desabafo que viralizou nas redes sociais neste domingo. Nele, Lauro Pacheco de Medeiros Filho, desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, dizia que o senador mineiro afastado não tem "o mínimo de cerimônia com os escrúpulos", parafraseando Tancredo Neves – avô de Aécio. 

Garantiu ainda que seu filho tem "um ótimo caráter" e que "está preso por causa da lealdade" ao tucano. 

Frederico Medeiros foi flagrado pela Polícia Federal em três ocasiões carregando uma mochila de dinheiro, entregue por um executivo da JBS, que seria destinada a Aécio Neves. Leia o texto completo abaixo:

"Aécio: Meu filho Frederico Pacheco de Medeiros está preso por causa de sua lealdade a você, seu primo.

Ele tem um ótimo caráter, ao contrário de você, que acaba de demonstrar não ter, usando uma expressão de seu avô Tancredo Neves, o “mínimo de cerimônia com os escrúpulos”.

Vejo agora, Aécio, que você não faz jus à memória de seu saudoso pai, o deputado Aécio Cunha. Falta-lhe, Aécio, qualidade moral e intelectual para o exercício do cargo que disputou de presidente da República.

Para o bem do Brasil, sua carreira política está encerrada.

Ass. Lauro Pacheco de Medeiros Filho

Desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais"

A autoria da mensagem foi confirmada pelo próprio Lauro Pacheco à Agência Pública. 

"[Meu filho] fez aquilo de boa fé. Fiquei com um sentimento de revolta muito grande com o Aécio. Sempre fui um admirador dele, mas a decepção é grande, com aquela imagem de bom moço…", afirmou. Para ele, "Aécio não honra a memória do avô e do pai, Aécio Cunha, que era um político honestíssimo". Pacheco tem 78 anos e vive em Belo Horizonte. Seu filho está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, desde quarta-feira passada. Segundo disse à Pública, Frederico "jamais faria um delação" porque "não sabe de nada, caiu numa enrascada".

Frederico Pacheco de Medeiros foi um dos coordenadores da campanha presidencial de Aécio Neves em 2014, além de ter atuado no governo Aécio em Minas Gerais entre 2003 e 2010. Um diálogo entre o magnata Joesley Batista, dono da JBS, e o senador mineiro foi entregue a Procuradoria Geral da República e divulgada na semana passada. 

Na conversa, ambos negociam o pagamento de dois milhões de reais em propina para, segundo o tucano, pagar seu advogados. Frederico foi então o responsável por receber a quantia, em quatro parcelas de 500.000 reais, de Ricardo Saud, diretor de relações institucionais do frigorífico. Após a primeira entrega, o esquema foi relatado à PF pela própria JBS. Os agentes montaram então toda uma operação para flagrar as demais entregas.

A pedido do procurador-geral, Rodrigo Janot, o plenário do Supremo Tribunal Federal vai reavaliar o pedido de prisão contra Aécio, inicialmente negado pelo ministro Edson Fachin. Nesta terça, Aécio distribuiu um vídeo de quatro minutos em suas redes sociais nas quais se defende das acusações, mas diz que errou ao se deixar envolver "na trama montada por um criminoso". 

Ele defende a irmã, Andrea Neves, que está presa, e também o primo Frederico. Pede desculpas, por fim, por ter usado palavrões na conversa gravada.

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