Dono de fazenda em Mato Grosso em que deficiente vivia em situação de escravidão já foi preso por porte de arma

O dono de uma propriedade rural em Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, onde um deficiente físico foi resgatado em situação análoga à escravidão na sexta-feira (7), o advogado Robson Medeiros foi preso em 2014 por porte ilegal de arma durante uma operação da Polícia Civil. 

Recentemente, ele teve o pedido de prisão temporária encaminhado à Justiça pelos crimes de sequestro, cárcere privado, redução a condição análoga de escravo, maus tratos e favorecimento sexual. O G1 não conseguiu localizar a defesa de Robson.

A operação 'A Grande Família' deflagrada em 2014 prendeu, além de Robson, outras quatro pessoas. Na ocasião, foram apreendidas nove espingardas, três revólveres e munições. Robson, no entanto, foi liberado após pagar fiança.

Na sexta-feira, também durante uma operação a polícia resgatou um funcionário em uma propriedade do advogado. O trabalhador teve uma perna amputada e perdeu a visão de um olho durante acidentes de trabalho.

Ele vivia em um quarto com muitos ratos e perto de um chiqueiro. O lugar também funcionava como depósito de produtos agropecuários, rações e ferramentas de trabalho.

Em relato à polícia, o funcionário contou que é portador de hanseníase e, por isso, não sente dores no corpo. Há quatro meses, como disse ele em depoimento, os ratos roeram uma das pernas enquanto ele dormia. Ele só percebeu a situação depois que acordou e viu as poças de sangue no chão.

Ele também contou à polícia que os documentos pessoais dele estão, há cerca de um ano, com o ex-sogro do advogado, que supostamente daria entrada no processo de aposentadoria do trabalhador.

Outros relatos

Uma família que mora na fazenda também contou que trabalha sem carteira assinada. A filha do casal, de 13 anos, relatou que o patrão a convidou para ter relações sexuais com ele e a mulher dele.

Durante vistorias, a polícia encontrou banheiros e alojamentos adequados. Porém os proprietários deixam o local trancado com cadeado e corrente fazendo com que os funcionários tomem banho de mangueira atrás da casa.

De acordo com a Polícia Civil, o delegado responsável pelas investigações pediu à Justiça a prisão temporária do advogado e do sogro dele. Eles devem responder pelos crimes de sequestro, cárcere privado, redução a condição análoga de escravo, maus tratos e favorecimento sexual.

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