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Chefe de quadrilha de roubo de carros comandava as ações de dentro da prisão em MT e postava fotos tiradas na cela

HojeNews - A investigação da Polícia Civil deflagrou na manhã desta quinta-feira (17.08) a operação “Ares Vermelho”, que desvendou uma densa rede criminosa ligada a crimes patrimoniais de roubos, furtos, receptação e adulteração de veículos na região metropolitana de Mato Grosso, responsável por 60% das ocorrências dos últimos três meses nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.

Foram efetuadas 51 prisões, sendo 45 mandados de prisão preventiva, 6 flagrantes, realizadas 62 buscas e apreensão domiciliar e 5 conduções coercitivas para interrogatórios. Também foram apreendidos 4 veículos, 113 tabletes de maconha, armas e munições. Fora do Estado de Mato Grosso, a operação cumpriu 5 mandados de prisão e 5 buscas em Campo Grande, 1 condução coercitivas em Novo Progresso, no Pará, 5 prisão preventiva e 5 buscas em Rondônia.

As prisões, buscas e conduções coercitivas foram efetuadas nesta manhã por 200 policiais civis distribuídos em bairros de Cuiabá e Várzea Grande, além das cidades do interior (Barra do Garças, Jaciara, Nova Olímpia, Chapada do Guimarães, Sinop, Rondonópolis) e nos Estados de Mato Grosso do Sul, Pará e Rondônia.

LÍDERES

O grupo criminoso era liderado pelos detentos Luciano Mariano da Silva, conhecido por “Martelo ou Marreta”, Robson José Ferreira de Araújo, “Carcaça” (que também usa nome de Marcelo Barbosa do Nascimento), Edmar Ormeneze, “Mazinho”, e Wagner da Silva Moura, “Belo”, todos presos na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e integrantes de uma facção criminosa.

Os detentos, em nível de liderança, associados a outros criminosos identificados, praticaram diversos crimes subsequentes relacionados a veículos, clonagens, falsificação de documentos, estelionatos e lavagem de dinheiro.


“A investigação demonstra que se trata de organização criminosa integrada por vários indivíduos, até o momento identificados mais de 70 pessoas envolvidas e com relação direta e indireta na prática de crimes, com funções bem definidas, imprescindíveis à organização criminosa, sendo que várias foram identificadas, mas ainda restam identificar muitas delas”, disse o delegado adjunto da Derrfva, Marcelo Martins Torhacs. 

ESTRUTURA SOFISTICADA    

A estrutura montada pela organização é altamente sofisticada, com divisão elaborada no setor financeiro, chegando a manter uma espécie de “caixinha” ou reserva financeira para fomentar o crime nacional e fazer alianças com outras facções criminosas, além da lavagem do dinheiro adquirido nos crimes patrimoniais de veículos.

De acordo com a investigação, os criminosos Luciano Mariano da Silva (Marreta), Robson José Pereira de Aráujo (Carcaça), Edmar Ormeneze (Mazinho), em nível de liderança da célula criminosa especializada na subtração de veículos e suas trocas por drogas objetivavam capitalizar a facção de Mato Grosso.

Os criminosos cooptavam jovens para prática reiterada de crimes patrimoniais majorados de roubos de veículos, que eram descaraterizados com a substituição, geralmente, de placas, e falsificação de documentos, para venda no mercado interno. Também ficou evidenciada a prática de estelionatos e lavagem de dinheiro pelo reeducando Edmar Ormeneze (Mazinho), com a participação de familiares e outras pessoas aliciadas, utilizando contas bancárias para o cometimento dos crimes.

No pedido das medidas cautelares de prisão, busca e conduções coercitivas, os delegados também solicitaram o bloqueio judicial de seis contas bancárias. As ordens foram expedidas pela 7ª Vara Criminal de Cuiabá – Vara do Crime Organizado. As autoridades policiais requisitaram também a transferência dos líderes da organização criminosa para unidades prisionais do interior ou fora do Estado.

COMO AGIAM

Os crimes eram liderados por quatro principais membros da organização criminosa, que estão presos em unidades prisionais de Mato Grosso. Eles encomendavam veículos para comparsas do lado de fora, que agiam como verdadeiros “soldados do crime”, executando os roubos conforme a necessidade (modelo e cor) da organização. 

Assim, usando carros clonados promoviam rondas pela cidade, em grupos de três a quatro pessoas, objetivando encontrar vítimas com veículos, de acordo com as características repassadas pelos líderes. Caso encontrassem a pessoa desatenta, embarcando ou desembarcando de seu veículo, rapidamente entravam em contato com seus “superiores” e mencionavam o que tinham à disposição. Se o comando criminoso se interessasse pelo veículo, promoviam o roubo.

Duas características faziam do roubo uma ótima opção e a mais realizada. A primeira, pela facilidade de tomar as chaves originais (possibilitando a ação de um criminoso sem conhecimentos específicos de mecânica/elétrica – ligação direta e outros necessários para o furto) e documentos do veículo e bens das vítimas. A segunda, o perfil das vítimas, que por estarem distraídas ou em momento de descontração, possibilitava a aproximação dos criminosos e uma abordagem armada sem maiores problemas.

“Realmente existe uma organização criminosa bastante articulada e os líderes estão dentro do Sistema Prisional. Eles orientam, aliciam e determinam a ação de jovens para prática de roubos e tráfico de drogas. Foi possível identificar esses líderes e segregar esses jovens que estavam praticando cerca de 60% dos roubos de veículos na capital mato-grossense”, finalizou o delegado Marcelo Martins Torhacs.

PARTICIPAÇÃO DE POPULARES
De acordo com os delegados, Vitor Hugo e Marcelo Martins, durante a investigação foi comum perceber a participação de inúmeras pessoas, a maioria sem passagem criminal, que ofereciam seus imóveis para locação, os quais seriam destinados a servir de esconderijo de veículos subtraídos ou, até mesmo, entorpecentes. 

Da mesma forma, o empréstimo de contas bancárias para movimentação de valores oriundos da criminalidade (golpes, “caixinha”, etc.), também era recorrente. Com informações da assessoria da Polícia Civil.