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Cooperativa do Nortão de Mato Grosso denuncia envolvimento de policiais em conflito por madeira; casas são queimadas

Representantes da Cooperativa Mista Agropecuária e Pastoril do Assentamento Ena (Cooperena) localizada em Feliz Natal, a 518 km de Cuiabá, denunciaram o envolvimento de policiais militares e civis em um conflito por madeira na região. 

Os assentados, segundo a cooperativa, já tiveram casas queimadas e sofreram atentados armados. O caso foi denunciado na Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT), entidades ambientais e no Ministério Público Estadual (MPE).

Em nota, a Sesp-MT afirmou que orientou a cooperativa a procurar as corregedorias da PM e da Polícia Civil para realizar as denúncias envolvendo os policiais.


A briga pela extração de madeira ocorre há aproximadamente sete anos. Segundo o presidente da Cooperena, Gelso Fistarol, uma empresa foi contratada para realizar a atividade extrativista numa área de 30 mil hectares que pertence à cooperativa. A empresa, no entanto, teria realizado o trabalho, mas não remunerou os assentados.

“Em vez de pagar, eles só pegaram a madeira e não pagaram nenhum centavo para a cooperativa. Somando apenas as notas fiscais, a dívida deles é de cerca de R$ 8 milhões”, afirmou Fistarol.

Em 2014, o contrato com a empresa foi rompido. Entretanto, a atividade não foi suspensa e a extração continuou sem que a cooperativa recebesse.

Em janeiro deste ano, segundo Fistarol, o conflito ficou violento. Um dos cooperados, de 70 anos, teve a casa incendiada por homens que teriam sido contratados para intimidá-los. Os capangas também teriam ateado fogo em outras duas propriedades rurais dos assentados.

Para evitar as ameças, a Cooperena contratou vigias armados para evitar os roubos de madeira e fazer a segurança dos assentados. Eles foram vítimas de uma tentativa de homicídio no dia 4 de agosto.


Os seguranças foram abordados por três homens armados que trafegavam pelo assentamento. Eles disparam cerca de seis tiros e fugiram na mata.

De acordo com o presidente da cooperativa, as ameaças por telefone também são constantes. “Todos os dias eles me ligam fazendo ameças dizendo que vão me matar. Já até chegaram a atirar na minha casa”, contou Fistarol.

As ameaças, segundo a cooperativa, também são feitas por áudio enviados através de aplicativos. Em um deles, um homem diz que está na presença de um policial e manda os cooperados tomarem cuidado.

“Você não sabe com quem está mexendo. Se você tirar o leite das minhas crianças, vou tirar o seu leite também. Toma cuidado. As coisas não são como você acha. Se queimas uma palha minha, queimo uma espiga sua”, diz um dos áudios.

Por meio de assessoria, a Sesp-MT diz que vem realizando atividades policiais para inibir atividades criminosas na região.

Fonte: G1 MT